sábado, 10 de março de 2012

Justiça determina intervenção em canil de Gravataí (RS)

Justiça determina intervenção em canil de Gravataí (RS) acusado de maus tratos

Moradores têm denunciado aparente descaso da prefeitura em canil municipal de Gravataí; chamou a atenção um suposto caso de canibalismo entre os cães, que a prefeitura classificou como "briga"

A Justiça do Rio Grande do Sul acolheu o pedido do Ministério Público e determinou intervenção no canil municipal de Gravataí (23 km de Porto Alegre), na região metropolitana. O local vem sendo denunciado pelos moradores há anos por falta de estrutura e cuidados com os mais de 350 cães recolhidos pela prefeitura da cidade.

Na última quarta-feira (7), denúncias de moradores evidenciaram um aparente descaso com os animais. Sujeira, falta de funcionários e escassez de comida foram documentados por vídeos e fotografias. Porém, o que mais chamou a atenção foi um suposto
caso de canibalismo entre os cães. Entretanto, a prefeitura negou que isso tenha ocorrido e classificou o episódio como “uma simples briga de cachorro”.

Nessa quinta-feira, o titular da Promotoria Especializada de Gravataí, Daniel Martini –que encaminhou o pedido de intervenção– explicou que a prefeitura deve disponibilizar equipe técnica, alimentos e medicamentos suficientes para os animais. A partir de agora, um interventor judicial será nomeado pela Justiça para acompanhar diariamente as atividades do canil.
“Em caso de descumprimento dessas medidas, o município é notificado. O juiz, então, determina a realização das medidas e, se necessário, manda buscar recursos no próprio caixa municipal para fazer cumprir a decisão”, salienta Martini. Segundo o promotor, desde 2003 há uma investigação em andamento sobre a atuação da prefeitura e as condições do canil.

Superlotação

O canil municipal de Gravataí foi idealizado há mais de dez anos para receber até uma centena de cães recolhidos das ruas, a estrutura abriga hoje quase quatro vezes essa capacidade. No local trabalham um veterinário, um estagiário de veterinária, um motorista e quatro apenados do regime semiaberto, em troca da redução de pena.

De responsabilidade da Secretaria de Serviços Urbanos, o canil tem à sua disposição mensalmente uma verba de R$ 5.000 para a compra de ração. São 150 sacos por mês para alimentar os cerca de 350 cães.

O secretário de Comunicação de Gravataí, Rodrigo Becker –que tem se pronunciado em nome da prefeitura sobre o caso– admite falta de pessoal na assistência aos animais e más condições de estadia. “Não é o atendimento mais adequado. O ideal é que fosse muito melhor. Mas não temos condições de fazer um hotel para os cachorros”, disse.

Ainda segundo o secretário Becker, a prefeitura estuda aumentar o número de acomodações dentro do canil para melhor abrigar os cães. E admitiu: “É um problema crônico de administração, e que não é fácil de resolver”.

“Manter um serviço de tratamento e guarda não é algo insuportável para um município do porte de Gravataí, um dos maiores PIBs gaúchos”, informou o promotor.

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