sábado, 24 de março de 2012

Polícia vai investigar agressão que deixou cachorrinha paralítica em MS

Animal está internado em clínica veterinária de Campo Grande há 19 dias. Mais de 100 pessoas de várias cidades do país e do exterior querem adotá-la.

Após agressão Mel ficou com as patas posteriores paralisadas (Foto: Aliny Mary Dias/G1 MS)
Após agressão Mel ficou com as patas posteriores paralisadas (Foto: Aliny Mary Dias/G1 MS)
A Polícia Civil abriu inquérito nesta sexta-feira (16) para apurar um caso de maus-tratos contra uma cadela vira-lata de 3 meses, que teria sido chutada pelo dono e perdeu os movimentos das patas traseiras. A cadelinha, que foi batizada como Mel, está há 19 dias em uma clínica veterinária de

Campo Grande, e teria sido levada pelo dono que não voltou ao local.
De acordo com a médica veterinária Ana Lúcia Salviatto, a cachorrinha foi deixada na clínica no dia 27 de fevereiro por um homem que dizia tê-la encontrado na rua. Dois dias depois o suspeito acabou dizendo que tinha chutado o animal. “Nós desconfiamos e no final ele disse que tinha mal tratado o animal e nunca mais apareceu”, recorda a veterinária.
Raio X mostra lesão sofrida pela cadela após agressão (Foto: Aliny Mary Dias/G1MS)
Raio X mostra lesão sofrida pela cadela após agressão (Foto: Aliny Mary Dias/G1MS)
Mel teve fratura na tíbia e os membros inferiores ficaram paralisados, a cadela não anda e não consegue se equilibrar nas patas da frente. A filhote toma medicamentos para fortalecimento muscular e vitaminas. Ana Lúcia afirma que uma cirurgia, sessões de fisioterapia e acupuntura serão necessárias para que a cadela tenha melhor qualidade de vida. “As chances dela andar são mínimas, depois da cirurgia vamos avaliar a condição clínica dela”.
Depois de estabilizar a saúde do animal, a médica divulgou o caso nas redes sociais. A foto da cadela foi visualizada por várias pessoas e a lista de possíveis novos donos da Mel já passa de 100 pessoas de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas e até Londres, na Inglaterra.
A veterinária conta que no primeiro contato que teve com a cadela chegou a pensar em praticar a eutanásia em razão das dores que o animal sentia, mas depois de analisar a condição clínica, resolveu continuar com o tratamento. “Nós vamos explicar para as pessoas que não é um animal fácil, o trabalho e gasto serão grandes. Se ninguém tiver condições, vamos ficar com ela aqui na clínica. Já estão todos apegados”, conta Ana Lúcia.

Médica veterinária afirma que as possibilidades da filhote voltar a andar são mínimas (Foto: Aliny Mary Dias/G1MS)
Veterinária afirma que possibilidade de filhote voltar a andar é mínima (Foto: Aliny Mary Dias/G1MS)
O delegado Miguel Said da 1ª Delegacia de Polícia Civil da capital disse ao G1 que soube do caso através das redes sociais e decidiu investigá-lo. “Nós tomamos conhecimento e entramos em contato com a clínica, as investigações estão iniciando e temos alguns indícios que podem ajudar na identificação do suspeito”.
A pessoa responsável pela agressão pode responder por crime de maus-tratos, com pena de três meses a 1 ano de detenção. De acordo com o delegado, o caso deve ser repassado para a Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e Proteção ao Turista (Decat) ainda nesta sexta-feira.
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Comoção
Médicos veterinários de várias especialidades se prontificaram a atender a filhote depois que souberam do caso pela internet. Um médico ortopedista irá realizar a cirurgia sem cobrar nada. Fisioterapeutas e acupunturistas devem auxiliar no tratamento da cadela.
Uma cadeira de rodas adaptada, conhecida como carrinho, também deve ser doada para que Mel consiga se locomover com as patas da frente. “No início queríamos um dono, agora estamos buscando doações para que ela tenha toda o tratamento de ótima qualidade sem custo algum”, afirma Ana Lúcia.
Andamento


Dono nega agressão à cadela e diz que cachorrinha foi atropelada

Dono de cachorra que ficou paraplégica diz que ela foi atropelada em casa.
Segundo polícia, depoimento do rapaz contradiz informações do irmão dele.

Mel se recupera da cirurgia realizada na quarta-feira (21)  (Foto: Hélder Rafael/G1MS)
Mel se recupera da cirurgia realizada na quarta-feira (21) (Foto: Hélder Rafael/G1MS)
O dono da cadela vira-lata Mel de 3 meses, que perdeu os movimentos das patas traseiras em razão de lesões na tíbia e na medula, prestou depoimento a Polícia Civil, em Campo Grande, e negou que agressões tenham provocado a paraplegia no animal.

De acordo com a delegada Suzimar Batistela, da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e Proteção ao Turista (Decat), o rapaz de 25 anos disse em depoimento na segunda-feira (19), que atropelou acidentalmente a cadela após dar uma marcha ré no veículo.
No depoimento, o rapaz disse à delegada que sentiu quando o pneu passou em cima da Mel, ele teria entrado em desespero. O suspeito disse ainda que possui outros dois cachorros com deficiência, e afirmou novamente que não agrediu a cachorrinha.
Segundo a delegada, as explicações do dono contradizem o depoimento que o irmão dele, de 23 anos, prestou à delegacia no último sábado (17). Foi o jovem que levou a cadela na clínica onde o animal foi atendido. À polícia ele disse que viu o dono de Mel dando um chute na cadela.

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De acordo com Suzimar, a clínica veterinária está finalizando o laudo médico da vira-lata, já que ela passou por uma cirurgia na quarta-feira (21). Mesmo com o resultado do laudo a delegada afirma que somente através de depoimentos conseguirá identificar o que deixou a cadela paraplégica.
“No laudo médico não há como precisar o que causou os ferimentos na cadela. Nós precisamos descobrir qual dos dois irmãos está mentindo”, afirma a delegada.
Suzimar não descarta a possibilidade de uma acareação entre os irmãos. Um novo depoimento do jovem que levou à cadela até a clínica foi marcado para a tarde desta sexta-feira (23), mas de acordo com a delegada, o jovem não compareceu à delegacia.
Caso
Um inquérito para apurar o caso de maus-tratos foi aberto na sexta-feira (16). A cadela está há 26 dias internada em uma clínica veterinária de Campo Grande. De acordo com a médica veterinária Ana Lúcia Salviatto, a cachorrinha foi deixada na clínica no dia 27 de fevereiro.
Mel teve fratura na tíbia e os membros inferiores ficaram paralisados, a cadela não anda e não consegue se equilibrar nas patas da frente

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